Ir direto para menu de acessibilidade.
Início do conteúdo da página
Últimas notícias

25 de julho: três datas, uma só memória

  • Publicado: Sexta, 13 de Julho de 2018, 09h33
  • Última atualização em Sexta, 13 de Julho de 2018, 09h34
Tamanho da letra:

Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. Dia Nacional de Tereza Benguela. Dia Internacional da Agricultura Familiar. Três datas fortes que, coincidentemente comemoramos no mesmo 25 de julho. A escolha do mesmo dia para a celebração não foi proposital, mas bem que poderia ser, pois Tereza Benguela foi uma agricultora familiar negra que viveu e liderou a resistência à escravidão no Quilombo Quariterê que ficava no Vale do Guporé, no Mato Grosso, coração da América Latina!

Nossos livros de história enaltecem como heróis - que não foram, as figuras dos bandeirantes que entravam pelos sertões matando, prendendo ou sequestrando índios e negros para escravizá-los. Os historiadores não tratam aqueles mercadores de pessoas como criminosos e seus nomes ainda identificam rodovias, cidades e ruas em todo o País. Enquanto isso, lideranças como a Rainha Tereza são esquecidas pelos homens brancos que escrevem nossos livros escolares.

De meados de 1730 até o final do século XVIII, após o assassinato de seu companheiro por policiais, Tereza assumiu a liderança do Quilombo Quariterê, criou um sistema de segurança voltado para a resistência e diversificou a produção agrícola, garantindo comida farta para todas e todos que viviam na comunidade.

25 de julho é um dia de luta dos mais importantes em nosso calendário. É dia de celebrarmos a vida de Tereza Benguela, a mulher negra que não se submeteu à escravidão e mostrou que uma agricultura familiar forte é capaz de garantir a soberania e a segurança alimentar do povo. Quase três séculos depois, Rainha Tereza precisa ser resgatada como exemplo de resistência e de liderança para as mulheres de nosso continente.

As mulheres negras não podem continuar sendo desrespeitadas. Nossos companheiros, companheiras, filhos e filhas não podem seguir sendo vítimas de violência, e a escravidão não pode continuar resistido à abolição. Que Tereza Benguela inspire as lutas desta Pátria Grande por dignidade, por abundância de alimentos e por vida plena.

Senadora Regina Sousa (PT-PI)

(artigo originalmente publicado pelo jornal O Dia em 12/07/2018)

 

registrado em:
Fim do conteúdo da página