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Artigo: Processo fraudulento, prisão orquestrada e apartamento virtual

  • Publicado: Terça, 24 de Abril de 2018, 11h43
  • Última atualização em Sexta, 27 de Abril de 2018, 13h41
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Foto: Ricardo StuckertFoto: Ricardo Stuckert
A fraude orquestrada para mandar para a prisão o maior presidente que este País já teve foi desmontada pelas imagens que, hoje, envergonham o Brasil perante o mundo. Está comprovado: Lula foi acusado, condenado e preso por conta de um apartamento virtual. O imóvel que as televisões exibiram em rede nacional não existe. É um cenário de novela.

Isso ficou claro quando o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), numa ação genial, ocupou o imóvel. Afinal, se era de Lula – como maldosamente acusa o juiz de Curitiba – é de todos. O que os sem-teto descobriram é que o tal apartamento, cuja reforma teria custado um milhão de reais, não passa de um “muquifo”. Não existe elevador interno. Não existe varanda gourmet, não existe cozinha superequipada. O que existe é um apartamento de cooperativa, para pessoas de classe média baixa, com um fogãozinho simples, pias muito comuns e nenhum luxo.

Prova irrefutável da má-fé dos que precisavam condenar Lula de qualquer jeito. E não bastou apenas condenar. Era preciso garantir que ele fosse preso. Para isso, a condenação inicial a nove anos não bastava. Com nove anos, Lula não cumpriria pena, por conta de sua idade.

Inventaram, então, uma revisão da pena, para 12 anos e um mês. O mês foi decisivo para embasar a ida do presidente para o cárcere –eles não sossegariam se assim não fosse.

A orquestração foi tamanha que houve até desembargador reconhecendo que sequer leu o processo. Que formulou seu voto apenas ouvindo os colegas. Isso é uma falta total de compromisso e de respeito com a defesa do presidente. E o desrespeito e descompromisso se repetiram seguindo a mesma fórmula: os recursos não foram lidos – foram os juízes que assim o reconheceram.

Agora, Lula está lá. Encarcerado pela República de Curitiba, que criou seu próprio Código Penal e escreve suas próprias leis. Nós visitamos Lula no cárcere. Ele está sereno, tranquilo, e ainda tem forças para nos animar e pedir que a gente não sofra, que não chore.

Enquanto isso, o Brasil envergonha o mundo ao negar acesso à cela isolada de Lula de um prêmio Nobel da Paz. Adolfo Pérez Esquivel foi barrado sob a alegação de que não há amparo legal para justificar a visita. Deve ser porque Esquivel afirmou que vai indicar, em setembro, o nome de Lula para receber o Nobel. Ou porque ele declarou que Lula conta com a força do trabalho realizado em defesa dos mais pobres e marginalizado e tirou da pobreza extrema mais de 30 milhões de brasileiros.

A elite não perdoa.

(Artigo publicado originalmente no Jornal Meio Norte)

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