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'Sejamos todas Esperança Garcia'

  • Publicado: Quarta, 06 de Setembro de 2017, 00h32
  • Última atualização em Segunda, 09 de Outubro de 2017, 16h56
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A coragem e a ousadia de Esperança Garcia foram ressaltadas pelos presentes à solenidade que reconheceu a escrava como a primeira advogada piauiense pela Ordem dos Advogados do Brasil-PI. A presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado,senadora Regina Sousa, pediu que todos, principalmente as mulheres, sejam Esperança Garcia.

O reconhecimento foi solicitado pela Comissão da Verdade da Escravidão Negra no Brasil e aprovado pelo Conselho Estadual da OAB-PI no mês passado. A carta de Esperança Garcia ao governador da Província de São José do Piauí,Gonçalo Botelho, em 6 de setembro de  1770, é considerada a primeira petição feita no estado. Na carta a escrava relata os maus tratos sofridos por ela, o companheiro e os filhos na Fazenda Algodões, em Oeiras.

Para a senadora, há na história do Brasil outras mulheres negras corajosas que os livros não citam, como Dandara, a companheira de Zumbi. E que é preciso que todos conheçam a luta dessas mulheres que tiveram a coragem de lutar por seus direitos em uma época muito difícil. " Coragem, principalmente para as mulheres. E que sejamos todas Esperança Garcia," pediu a parlamentar aos presentes na sede da OAB-PI.

A solenidade teve a presença da vice-governadora Margarete Coelho que considerou o reconhecimento da escrava como primeira advogada como uma forma de enfrentamento ao racismo no mundo atual e que a luta não pode ficar em vão.

O presidente da OAB-PI, Chico Lucas disse que é preciso atentar para a importância  da coragem da mulher negra, que na época denunciou os maus tratos sofridos na  Fazenda Algodões, em Oeiras. A presidente da Comissão da Verdade da Escravidão Negra, Maria Sueli Rodrigues disse que o trabalho deve continuar para trazer a história para a frente das lutas e usá-la como referência e contribuir para o empoderamento das populações negras.

O secretário estadual de Cultura, Fábio Novo se comprometeu a produzir um gibi e um documentário sobre a vida de Esperança Garcia e fazer uma representação da escrava “que teve a ousadia, no bom sentido, de se alfabetizar em 1770.” E lembrou que as mulheres piauienses negras estão em alta, citando a miss Brasil, Monalysa Alcântara e a médica Lair Guerra, indicada ao prêmio Nobel.

Hélio Ferreira, do Núcleo de Estudos e Pesquisas Afro da Universidade Federal do Piauí destacou que Esperança Garcia foi a primeira a falar em cidadania ao escrever a carta, considerada uma petição, que também relata aspectos sociais e humanitários e é uma obra literária. “É uma carta muito forte”, resumiu.

A data da carta foi referência para o Dia Nacional da Consciência Negra no Piauí, instituído em 7 de janeiro de 1999. O projeto é de autoria do então deputado estadual Olavo Rebelo, do PT.

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