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Regina denuncia inversão de valores e criminalização de movimentos sociais

  • Publicado: Quinta, 25 de Maio de 2017, 17h23
  • Última atualização em Quinta, 01 de Junho de 2017, 16h36
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Foto: Assessoria de imprensa
Foto: Assessoria de imprensa
Existe uma clara inversão numa sociedade que se choca com janelas quebradas e não reage ao massacre de nove homens e uma mulher no município de Pau d'Arco. Os dois fatos ocorreram no mesmo dia. O silêncio que se faz sobre policiais que, oficialmente, estavam apenas cumprindo mandados de prisão contrasta com o alarde sobre baderna e depredação do patrimônio público. Vale observar que essa baderna sequer foi promovida pelos manifestantes.

Na verdade, o que aconteceu no Pará é que, apesar de os policiais afirmarem terem sido recebidos a bala, nenhum deles ficou sequer ferido. Entre os trabalhadores rurais, dez tombaram.

Esse é apenas um trágico exemplo de como são tratados os movimentos sociais que brigam por espaço para seus direitos. Todos os avanços conquistados por governos democráticos e populares estão sendo postos abaixo neste ano de governo Temer. “Isso é um novo velho jeito de tratar os movimentos sociais, que culminou com a intensa repressão policial aos manifestantes que protestavam contra o governo nessa quarta-feira”, enfatizou a senadora Regina Sousa (PT-PI). Nesta quinta-feira (25), a parlamentar presidiu audiência pública da Comissão de Direitos Humanos do Senado. Em debate, a criminalização dos movimentos sociais.

“No ano passado, quando aprovaram a Lei Antiterrorismo, eu disse que ela tinha endereço certo; ela foi feita para os movimentos sociais”, recordou. E insistiu que é necessário evitar os arranjos autoritários que podem estar sendo articulados no País. Lideranças relataram toda sorte de arbitrariedades a que são submetidos.

Presente ao debate, o senador Paulo Rocha (PT-PA) disse que, com a deposição do governo democraticamente eleito de Dilma Rousseff, aconteceu uma verdadeira marcha a ré nos avanços sociais já conquistados. "Há um retrocesso evidente neste País, e o Estado voltou a ser norteado por um pensamento elitista”, disse, explicando que a retomada do poder político representa colocar por terra direitos trabalhistas conquistados há décadas, a volta da violência no campo, o ataque às terras dos povos indígenas e aos trabalhadores rurais. “Isso tudo volta da forma mais cruel, que é através da eliminação das lideranças e das chacinas”, denunciou.

Para demonstrar as tentativas de criminalização dos movimentos, a senadora Regina mostrou aos debatedores a matéria exibida por uma grande emissora de televisão sobre o massacre dos trabalhadores rurais em Pau d'Arco. “Como se pode acreditar que os policiais foram recebidos a bala se, de um lado, há dez mortos e, do lado dos policiais, sequer foi registrado um arranhão?”, estranhou. “É uma mentira deslavada”, assegurou.

Segundo o governo do Pará, os policiais estariam cumprindo mandados de prisão de acusados de assassinar um segurança de uma fazenda. A Comissão Pastoral da Terra afirma que foi uma ação de despejo. Pau D’Arco fica a 230 quilômetros ao Sul de Eldorado dos Carajás, onde 19 trabalhadores rurais sem-terra também foram massacrados pela PM, mas em 1966.

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