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Regina Sousa: “O empoderamento feminino deve começar em casa”

  • Publicado: Terça, 23 de Maio de 2017, 09h55
  • Última atualização em Quinta, 01 de Junho de 2017, 16h36
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Foto: Marcelo Bertani/AL-POAFoto: Marcelo Bertani/AL-POA
É a herança cultural que afasta as mulheres da participação política. Esse “peso” ancestral delimita os espaços públicos, porque, no imaginário popular, ainda cabe a mulher o título de “rainha do lar, enquanto aos homens é reservado o papel de tomadores de decisões. Assim a senadora Regina Sousa (PT-PI) explicou, na Assembleia Legislativa de Porto Alegre, a ainda restrita participação feminina na política e no poder.

Ela participou, juntamente com a senadora Uruguaia Constanza Moreira e da deputada Jandira Feghalli (PCdoB- RJ), da primeira edição deste ano do Fórum dos Grandes Debates. O tema em debate foi Mulheres no Poder – Os Desafios nos Espaços da Política.
Para a senadora Regina, o empoderamento feminino deve começar em casa a partir da educação dos filhos. “Ensinamos as meninas a lavar as calcinhas, mas não ensinamos os meninos a lavar as cuecas. São coisas pequenas, mas que têm peso na nossa vida. Precisamos educar diferente para que possamos criar uma geração diferente”, defende.

Ela lembrou que é nos pequenos detalhes que a ocupação dos espaços começa. ”Até o ano passado, o plenário do Senado Federal não tinha banheiro para as senadoras”, contou. As parlamentares precisavam abandonar as sessões e ir até o cafezinho, que fica atrás do plenário, separado por uma porta. Isso, apesar de haver hoje, na Casa, onze senadoras.

Histórico de luta

Na abertura do evento, o presidente da Assembleia Legislativa, Edegar Pretto (PT), afirmou que o Rio Grande do Sul tem um histórico de luta das mulheres e, mesmo assim, ao longo da existência do Parlamento gaúcho, só 35 mulheres elegeram-se deputadas e apenas uma chegou à presidência do Legislativo, depois de 180 anos de “domínio” estritamente masculino. “Nestes tempos difíceis, precisamos somar esforços para atingir a equidade de gênero, pôr fim à violência e aproximar o Rio Grande de um modelo que priorize a igualdade”, apontou Pretto.

Ele anunciou que o debate sobre a igualdade de gênero terá um segundo momento, provavelmente, no próximo semestre, quando serão contempladas outras visões sobre o tema. “Com isso, queremos prestigiar a diversidade ideológica e política sobre a questão”, frisou o presidente do Legislativo.

Primeira palestrante da noite, a senadora uruguaia Constanza Moreira, da Frente Ampla, afirmou que o movimento de mulheres da América Latina está sendo fundamental na resistência ao conservadorismo, que avança em todo o Continente. “Saímos de uma década de progressismo em toda a América Latina com democracia, distribuição de renda e inclusão social e desembarcamos num contexto dissolução de direitos, inclusive, dos avanços obtidos pelas mulheres”, sintetizou.

Para Constanza, que foi a primeira mulher a disputar a pré-candidatura à Presidência do República do Uruguai, “sem mulheres na política não há política para as mulheres”. Ela defendeu a formação de “uma massa crítica” capaz de influenciar todos os poderes, “Precisamos de feministas não só no Legislativo, mas no Executivo e no Judiciário também. Temos criar consciência sobre interesses comuns para superar a divisão sexual do trabalho e desestimular a competição política entre nós”, frisou.

Ela classificou de “horrível” o nível de participação política das mulheres no Brasil e no Uruguai. Enquanto na América Latina elas ocupam 27% das cadeiras dos Legislativos e no mundo 20%, o percentual cai para 15% no Brasil e 14% no Uruguai. “Isso ganha um significado maior quando assistimos ao espetáculo do preconceito e as acusações machistas que pesam sobre personalidades femininas eleitas, como Dilma Rousseff e Cristina Kirchner”, salientou, alertando que os avanços obtidos no último período correm risco de extinção.

A deputada federal Jandira Feghali desafiou as mulheres a protagonizar a luta pelo retorno da democracia ao Brasil. Para ela, o País vive um momento de profundo retrocesso em que, além dos ataques aos direitos da população, há a disputa por uma agenda simbólica. “As mulheres são imprescindíveis neste momento de ressignificação simbólica que atravessamos”, ponderou, lembrando a participação feminina em todos os momentos decisivos da História do Brasil. “As mulheres estiveram na a luta abolicionista, contra a ditadura, pela anistia política, contra a carestia e pelas diretas. Agora é hora de voltar às ruas para pedir diretas já”, preconizou.

Com informações da Agência de Notícias da Assembleia Legislativa de Porto Alegre

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