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Encontro no Ceará debate aumento de casos de assassinatos de meninas

  • Publicado: Terça, 04 de Dezembro de 2018, 13h01
  • Última atualização em Segunda, 10 de Dezembro de 2018, 19h18
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Foto: Marcos Moura /AL do CearáFoto: Marcos Moura /AL do Ceará
A comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Ceará decidiu enfrentar estatísticas que assustam: o estado é o primeiro do Brasil em número de jovens assassinados e o terceiro em casos de feminicídio. Também preocupa o elevado índice de assassinato de meninas, que cresce acima da média. Nessa segunda-feira (03), uma audiência pública reuniu especialistas para debater o problema e procurar formas de enfrentamento.

Entre os convidados, a presidenta da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Regina Sousa (PT-PI). Ela lembrou a Declaração dos Direitos Humanos, que acabou de completar 70 anos: “Se a gente garantir esses direitos, vai evitar assassinatos de meninas e mulheres”. Regina destacou que o feminicídio tem sintomas e sinais claros. “É preciso cuidar desde o começo, desde a pequena violência”, recomendou.

A senadora também criticou a lentidão nos inquéritos que apuram as mortes de mulheres, a espetacularização desses crimes nos meios de comunicação, e enfatizou a necessidade de fazer um trabalho de reeducação com os agressores para evitar reincidência.

A iniciativa da audiência pública partiu dos deputados estaduais cearenses Renato Roseno (Psol), vice-presidente da comissão, e da deputada Augusta Brito (PCdoB), procuradora Especial da Mulher na Assembleia, com apoio do projeto Pauta Feminina, da Procuradoria da Mulher do Senado, representado pela senadora Regina, e do Comitê Cearense de Prevenção de Homicídios na Adolescência.

Morte de meninas

Renato Roseno explicou que 981 adolescentes foram mortos em 2017, e a proporção de assassinato de meninas vem crescendo acima da média. Ele informou que o Comitê de Prevenção de Homicídios na Adolescência da AL vai investigar a situação em que essas mortes de meninas ocorrem e o contexto social. “Queremos lançar um olhar específico que produza uma agenda de políticas públicas específicas. Fala-se abertamente em liberação de armas e redução da maioridade, mas o que produz paz é a justiça”, afirmou Roseno.

Augusta Brito destacou o trabalho do Comitê e elogiou a iniciativa de ampliar a linha de investigação. Ela ressaltou a importância desse novo trabalho também trazer recomendações de ações e políticas públicas para evitar o crescimento de assassinatos de meninas e adolescentes no estado.

A representante do Comitê de Prevenção de Homicídios na Adolescência da Assembleia Legislativa do Ceará, Daniele Negreiros, explicou que o número de vítimas do sexo feminino, entre 10 e 19 anos, passou de 27 em 2016, para 105 em 2018, no estado. Em Fortaleza também houve aumento, saindo de seis meninas mortas em 2016 para 31 em 2017. Ela ressaltou que há municípios e bairros que lideram os números, o que demonstra onde as políticas públicas são mais urgentes. “Essas mortes acontecem dentro de um contexto. Muitas vezes essa menina já foi vítima de violência. É possível evitar essas mortes”, pontuou.

A representante do Grupo de Mulheres do Jangurussu, Juliana Araújo, destacou que há uma seqüência de fatos que levam à morte, e citou fatores como gravidez na adolescência, abandono dos estudos e envolvimento com agentes do tráfico. Ela cobrou mais políticas públicas dentro das comunidades. “Quando oferece essa vivência você vai despertar a consciência desse jovem. Se não tem nada, ele vai se perder. Quando sai a política publica a violência toma conta”, afirmou.

Também estiveram presentes Camila Silveira, coordenadora Especial de Políticas Públicas para as Mulheres do Governo do Estado; Dillyane Ribeiro, representando Fórum DCA (Direitos da Criança e do Adolescente); Rose Marques, do Fórum Cearense de Mulheres; a vereadora de Fortaleza Larissa Gaspar (PPL); Kilvia Teixeira, assessora do Ministério dos Direitos Humanos; delegado Leonardo Barreto e Gina Moura representante da Defensoria Pública do Ceará.

Com informações da Agência de Notícias da Assembleia Legislativa do Ceará

 

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