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"Professora" Regina dá aula sobre democracia e respeito às minorias

  • Publicado: Quarta, 06 de Junho de 2018, 20h03
  • Última atualização em Sexta, 15 de Junho de 2018, 12h46
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“Se existe gente à margem, é porque alguém tomou conta do leito”. Assim a senadora Regina Sousa (PT-PI) explicou, para os alunos do 9ºano do ensino fundamental do colégio Albert Sabin, de São Paulo, o que significam as desigualdades da sociedade brasileira. Os alunos perguntaram sobre a necessidade do sistema de quotas e a força do racismo no Brasil. A parlamentar explicou por que a luta pela inclusão e pelos direitos humanos é a sua prioridade como senadora e como cidadã.

É a segunda vez, só neste ano, que a senadora Regina Sousa deixa de lado a agenda parlamentar e retoma seu papel de educadora. Ela participou de uma roda de estudos sobre democracia participativa e direitos humanos onde foi “sabatinada”. E explicou que, no Brasil, a divisão do bolo está errada. “Pouca gente tem muito e muita gente tem quase nada”. Esse grande fosso não é apenas uma teoria para quem, quando criança, precisou abandonar a casa onde vivia no quase impossível prazo de 24 horas apenas porque seu pai desagradou o proprietário de terras.

“Aprendi sobre a necessidade de reforma agrária na prática e antes dos dez anos de idade”, contou. Essa foi a primeira batalha. Estudar foi outra. E, hoje, ainda, enfrentar a discriminação mesmo entre seus pares, no Senado Federal.

À pergunta sobre se era mais difícil ser uma parlamentar mulher ou uma parlamentar negra, Regina respondeu que o peso de ser negra é maior, porque é maior a luta para ocupar os espaços de poder. Mas ser mulher também significa sofrer discriminação. Ela contou que, nos momentos em que as senadoras sobem à tribuna, é comum ver os colegas de Câmara Alta ignorando os pronunciamentos, “como se a fala das mulheres fosse menos importante”.

Ainda assim, e apesar de todas as dificuldades e do preconceito, Regina Sousa acredita que a política é o único campo de batalha possível. E recomendou aos estudantes que participem, que se envolvam, que se integrem aos grêmios estudantis e ocupem os espaços de discussão e participação política. “Quanto mais a gente se afasta, pior fica. Quando a gente participa, começa a ter visibilidade e aprende a entender do que gosta”, explicou. Outra lição foi o interesse pela observação atenta antes da escolha nas urnas. “É preciso ver quem merece voltar e o que queremos renovar”, recomendou.

Outros temas destacados pelos estudantes
Sistema de quotas - “Precisamos quitar uma dívida social com a população negra. O Brasil não é uma democracia racial. É um país racista, com memória escravista.
Cura gay – “É lamentável que a pessoa seja discriminada por sua orientação sexual”.
Feminismo - “É uma consequência da necessidade da mulher de lutar por seu espaço. Na verdade, a mulher quer dividir os espaços, não tomá-los de assalto
Violência – “Se a criança cresce e é educada para a não-violência, vamos ter um mundo mais equilibrado e melhor”
Escola pública – “A melhora passa por uma discussão verdadeira sobre a escola. Uma escola precisa ser um lugar de que as crianças gostem. E precisamos entender que uma boa gestão pode fazer toda a diferença. Se existem experiências boas, é porque é possível. Mas a educação precisa ser prioridade para os governos e não um setor de onde se tiram recursos para atender outras demandas e resolver crises (como a grande greve dos caminhoneiros, por exemplo)
Esperança – “Sem ela, não estaríamos aqui”


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