Ir direto para menu de acessibilidade.
Início do conteúdo da página
Últimas notícias

“Precisamos botar o pé na estrada e descobrir o Brasil”

  • Publicado: Quarta, 14 de Junho de 2017, 09h57
  • Última atualização em Segunda, 26 de Junho de 2017, 10h41
Tamanho da letra:

Foto: Agência SenadoFoto: Agência Senado
Em Uruçuí, convivem duas faces de uma mesma tragédia: o assassinato de um jovem de 19 anos e o estupro de sua namorada, grávida de 15 anos de um lado e o desamparo das famílias dos adolescentes que cometeram o crime, de outro. Nesta terça-feira (13), na Comissão de Educação do Senado, a senadora Regina Sousa (PT-PI) relatou as conversas que teve com as famílias de vítimas e de acusados – três adolescentes com idades entre treze e quinze anos. Os meninos serão julgados nesta quarta-feira (14).

Ao se encontrar com as famílias dos jovens criminosos, a senadora disse que percebeu a total ausência do Estado em várias gerações de cada família. “Para os avós, a presença do Estado só surgiu de fato com a concessão da aposentadoria”, disse. “Os pais são totalmente desestruturados e a mãe de um dos meninos passou a beber cachaça desde o dia do crime e nunca mais parou; a mãe do segundo garoto disse que o filho era um menino bom até o início deste ano e ela não sabe a quem recorrer e o terceiro, desde os dez anos está no crime, apesar de a família ter tentado de tudo para afastá-lo”, enumerou.

Com a voz embargada, ela relatou o que ouviu do pai de um dos acusados: “naquele dia (do crime), se eu tivesse levado ele para a roça, não teria acontecido isso”. Ela contou ter sido muito difícil deparar com a situação e foi consolada e recebeu o apoio do senador Cristóvam Buarque (PPS-DF): “É bom saber que existe ainda senador que chora com as tristezas ao redor”, disse. A senadora continuou, propondo um mutirão para que as pessoas conheçam o País. “Acho que a gente precisa botar o pé na estrada e conhecer ao menos nosso próprio estado, porque há muita gente escondida que o Brasil não viu ainda”, disse. Segundo ela, há pessoas invisíveis, que precisam ser incluídas.

Como exemplo, ela citou a população mais pobre da cidade de Uruçuí. Trata-se de um município que se tornou fronteira agrícola, por conta da produção de soja. Com isso, a renda per capita é alta, mas extremamente mal distribuída. “A riqueza fica para alguns, para os que produzem”, disse, relatando que houve uma corrida para a cidade, que também convive com imensa população flutuante. “É uma cidade que precisa de atenção”, observou.

A audiência pública realizada na Câmara de Vereadores, de acordo com a parlamentar, apontou caminhos. Esse é um exemplo de que precisamos “descobrir o Brasil”, concluiu.

Leia mais:

Senadora Regina Sousa propõe criação de Fórum de combate à violência em Uruçuí

Regina: educação e prevenção são as saídas para o enfrentamento à violência

 

 

registrado em:
Fim do conteúdo da página