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Meio Ambiente

Água para amanhã, água para hoje - Regina Sousa

Publicado: Quarta, 25 de Março de 2015, 17h21 | Última atualização em Segunda, 06 de Julho de 2015, 17h29
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Desde 1993, por iniciativa das Nações Unidas, o dia 22 de março é especialmente dedicado às reflexões a respeito dos diversos temas relacionadas à água. Mas, por que tanta preocupação com este bem natural se sabemos que dois terços do planeta Terra são formados por água? A resposta é simples: 70% do Planeta é constituído de água, mas 97% dessas águas estão nos mares e oceanos e são salgadas. Ainda nos sobrariam 3% de água doce, quantia mais do que suficiente para suprir as necessidade de todos os seres vivos da Terra, mas apenas 0,3% dessa água está disponível nos rios e lagos. O restante, ou é água subterrânea e está inacessível para a população, ou é água congelada nas calotas polares e no cume das montanhas.

E 70% desta água disponível é destinada à agricultura, 20% à indústria e restam apenas 10% destes 0,3% para uso humano e para matar a sede dos animais. De posse desses dados, é fácil concluir que precisamos começar a cuidar da água de forma muito mais concreta, evitar o desperdício, a poluição e, sobretudo, zelar do meio ambiente por completo para que as condições de que a natureza necessita para produzir água boa não sejam ainda mais deterioradas.

Hoje, segundo a ONU, um sexto da população mundial - mais de um bilhão de pessoas - não tem acesso a água potável. Mais de dois bilhões não contam com serviços de saneamento básico e cerca de 6 mil crianças morrem diariamente devido a doenças ligadas à água insalubre e a um saneamento e higiene deficientes.

A mesma ONU acaba de publicar relatório conclamando a uma mudança dramática no uso, gerenciamento e compartilhamento da água, caso isso não ocorra, em 2030, o mundo enfrentará algo em torno de 40% de déficit no abastecimento de água. Diz ainda o relatório que o consumo, nas últimas década, cresceu duas vezes mais que a população e que 10% dos aquíferos são explorados acima de sua capacidade.

O que fazer diante de uma realidade que se avizinha de forma tão adversa? Mais do que criticar e lançar a responsabilidade para os governantes, precisamos de uma mudança radical no nosso próprio comportamento, adotar novos padrões culturais porque não importa quem somos, onde vivemos ou o que fazemos, nós dependemos da água para viver.

Não podemos continuar desmatando, poluindo os rios, destruindo nascentes, desperdiçando. Nesse aspecto, o Piauí e toda a região do Semiárido têm muito o que ensinar ao Brasil. Após séculos de sofrimento causado pela falta de acesso à água, nós hoje conseguimos mostrar que, mesmo numa região onde a chuva é pouca e a água de subsolo é profunda, já dispomos de alternativas e estratégias eficientes para garantir água para a população.

Aqui, olhando os ciclos das chuvas, o comportamento das plantas, dos animais e as características do clima e do solo aprendemos a conviver com o meio ambiente e desse conhecimento saíram técnicas de convivência com a estiagem, como a estocagem de água de chuva em cisternas de placas. São mais de um milhão de cisternas construídas nos últimos doze anos para a armazenagem da água boa de beber, água esta que era desperdiçada durante o período chuvoso.

Sou professora e gostaria de propor que, além da valorização das tecnologias sociais já disponíveis invistamos mais em educação ambiental, ferramenta indispensável para a construção de novos saberes e atitudes. A educação para o cuidado forma sujeitos conscientes de que o nosso futuro depende das escolhas de agora. Entre essas escolhas, obviamente, está a relação respeitosa que devemos ter para com os recursos naturais, especialmente a água, pois, como bem frisa um provérbio indiano, “Nós não herdamos a Terra dos nossos pais, pedimo-la emprestada aos nossos filhos”

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Assunto(s): Água , Meio Ambiente
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